pequenos livros e plantas

Vida de Solteira – 1: Depois do fim, o começo

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Foto de @leitoracretina

Não sei se vocês estão com saudade de mim, mas eu não aguentava mais ficar longe.  Quero agradecer imensamente a todas as pessoas que compartilharam comigo a alegria do meu primeiro livro.

E a forma que encontrei de retribuir todo o carinho recebido foi escrever essa série aqui no site enquanto o segundo livro fica pronto. Ela vai falar da vida de Júlia e Carol, que por motivos diversos acabaram de ficar solteiras. Hoje é apenas o início e uma vez por semana publicarei um capítulo novo. Espero que divirtam-se com as duas e deixem seus comentários.

Para os que estão chegando agora e quiserem adquirir meu livro (Miga, querem roubar meu crush) tem opção de comprar aqui ou na Amazon.

Bjooos


Júlia

Eu nunca imaginei que receberia às 8h da manhã de uma segunda-feira uma mensagem de Diego dizendo: “Ei Júlia, terminou”.

Júlia:

Terminar? Por quê?

Diego:

Não aguento mais esse namoro. E depois do que você fez no sábado. Já deu pra mim.

Júlia:

Eu já pedi desculpa, Diego. Não vamos acabar por besteira. Somos tão felizes juntos.

Diego:

Não adianta insistir, Júlia. Já tomei minha decisão.

Eu queria implorar pra ele não fazer aquilo. Mas fiquei em estado de choque e não consegui dizer mais nada.

Li em algum site que 2017 seria mais leve. Talvez por isso eu esteja tão surpresa com esse ‘fora” logo no segundo dia do ano. E por mensagem ainda mais. Prazer 2017, quero que sua leveza vá flutuar bem longe de mim.

Eu sou Júlia, tenho 19 anos e acabei de ficar solteira por imposição.

Hoje faz uma semana da mensagem maldita e ainda não consegui aceitar. É como uma piada sem graça que nunca acaba. Não entendo porque ele fez isso comigo. Ele dizia que me amava quando eu perguntava. Durante o réveillon eu falei que precisávamos começar a planejar o nosso casamento e ele concordou. Aí teve a briga e tudo desmoronou.

É tradição da família de Diego se reunir na casa de praia para comemorar o ano novo. Se não fosse João Marcelo, seria perfeito. Ele é o irmão mais velho de Diego e adora me provocar.

Durante a festa de réveillon João Marcelo chegou com duas “amigas” totalmente fora do contexto. Uma delas, claro, ele apresentou a Diego. Que, muito simpática, já abraçou e deu dois beijinhos nele. Eu fiquei de longe só vendo a cena. Quando achei que a conversa já estava longa demais, me aproximei. O trio inconveniente se afastou e eu fui conversar com Diego

– O seu irmão não desiste nunca. E pelo jeito você gostou. O que tanto conversava com aquela mulher?

– Eu hein! Só fui educado, Júlia. Vai me proibir de falar com as pessoas agora?

– Só não entendi a sua animação.

– Ah, Júlia. Não começa. Vou pegar uma cerveja.

Ele saiu e João Marcelo veio falar comigo.

– O que foi cunhada? Não tá gostando da festa?

– Me deixa, Marcelo.

Ele sorriu de forma cínica e eu me afastei. Fui até a mesa das comidas pegar um salgadinho e vi Diego dançando com a nova amiguinha.

– Posso saber o que tá acontecendo aqui, Diego?

– Nada. Só estou dançando.

– E você acha certo ficar dançando com essa… essa pessoa aí?

Ele ignorou a minha pergunta e ficou de costas pra mim. Fui obrigada a segurar na manga da camisa dele, que acabou rasgando quando Diego girou para tentar retirar a minha mão.

– Olha o que você fez, Júlia? Estragou minha camisa.

– Desculpa. Não fiz por querer. Foi você quem puxou.

Diego saiu nervoso e eu fiquei me sentindo culpada.

Não deveria ter segurado na camisa dele. Pensando bem, ele não estava fazendo nada errado, eu que imaginei coisas.

Chorei e fui consolada pela mãe dele. Depois que me acalmei adormeci em um dos sofás e no outro dia ainda tive que voltar pra casa com João Marcelo porque ninguém sabia onde estava Diego.

Passei o domingo sem conseguir falar com ele. Perdi as contas de quantas vezes eu liguei e na segunda pela manhã recebi a mensagem que vocês já conhecem.

Já faz 1 ano e 8 meses que não vou a uma festa sozinha e nem quero ir. Prefiro a segurança de chegar acompanhada a ficar exposta às cantadas dos engraçadinhos. O domingo vai ficar insuportável sem a presença dele.

E agora, quem vai escolher o sabor da pizza no domingo? Por que fui segurar naquela camisa? Devia ser uma camisa com valor sentimental pra ele ficar tão chateado. Dançar com uma recém-conhecida é normal, não é? Ele tem razão, eu que sempre estrago tudo.  

Não aguentei mais esperar ele falar comigo e mandei uma mensagem. Uma semana sem nenhum sinal de vida. Achou que ele tá sofrendo como eu, mas por orgulho não quer falar, então decidi tomar a iniciativa.

Júlia:

Amor, você tem certeza que é isso mesmo que você quer? Não faça isso com nós dois.

Pouco tempo depois meu celular vibrou indicando uma nova mensagem.

Respondeu! Respondeu!

Diego:

Júlia pare de insistir. Acabou.

Não podia ser verdade, eu precisava ouvir aquilo da boca dele para acreditar. Liguei, mas chamou até cair na caixa postal. Liguei novamente e estava desligado.

Então moooorraaaa seu imbecil. De preferência carbonizado. Assim eu não preciso nem ver o corpo. Não. Meu Deus! Me perdoe, não escute o que eu digo. Perdão, perdão. Não quero que ele morra.

– Júúúúúlia. Acorda menina! Não colocam limites nessa menina. Precisa ter hora de acordar.

Essa é minha tia Eunice, irmã do meu pai, batendo na porta do meu quarto. Não tem filhos, nem marido ou um amor para mandar cartas, já que ela não usa computador. Ela controla todos os meus horários. Não lembro de ter visto a tia Eunice feliz alguma vez na vida. Talvez quando ela souber que meu namoro com Diego acabou sua vida fique melhor. Ela o odiava.

Você vai deixar sua filha namorar esse sujeitinho de má índole, José Antônio? Além de feio, fala como se tivesse um microfone na boca. Vocês não percebem as pernas finas dele? Parece um funil.

Era essa a forma carinhosa que tia Eunice tratava Diego. Eu ficava muito chateada, mas papai conversou com ela e tia Eunice melhorou. Diminuíram as ofensas em voz alta e passaram a ser apenas resmungos.

– Tia, eu estou de férias!

– Não tem isso de férias. É preciso ter responsabilidade na vida. Quando você se formar acha que vai dormir até meio dia? Médico dorme tarde e acorda cedo.

– Por isso mesmo. Tenho que aproveitar enquanto sou apenas uma estudante de medicina. Tia, não estou num bom dia. Passe outra hora.

– Passe outra hora? Isso é jeito de falar? Trate logo de levantar que chegou uma encomenda pra você. Deve ser do seu namoradinho sem futuro. Cadê ele que não apareceu mais por aqui?

– Tá na casa dele.

Não ia dar esse prazer a tia Eunice. Até porque, eu e Diego podíamos voltar a qualquer momento.

– De quem é a encomenda?

– Se quiser saber venha olhar.

 


Carol

Vitor tá me olhando como seu eu fosse a pior pessoa que ele já viu.

– Por que você tá fazendo isso com a gente, Carol?

– Acho que não gosto mais de você como antes.

Agora parece que estou matando alguém a machadadas e ele presenciou o exato momento em que o machado acertou a cabeça da vítima.

– Você tá interessada em outro? Diga logo!

– Não estou interessada em ninguém. Só quero ficar sozinha. Já passei muito tempo namorando e não estou feliz.

– Como pode isso? Até ontem você estava feliz.

Na verdade eu não era feliz há um bom tempo. Mas Vitor não percebia e parecia muito bem seguindo aquela rotina sem graça.

Eu não nasci para acordar na segunda já sabendo exatamente o que vou fazer no sábado. Adoro surpresas. Pra mim a felicidade é ligada diretamente ao inesperado. Eu tentei me adaptar, mas depois de 2 anos tudo que eu quero é me livrar dele.

Não aguento mais só sair pra comer. Vitor não gosta de balada, não lembro qual foi a última vez que me diverti de verdade. Entrei na faculdade de medicina no ano passado e não fui a nenhuma festa organizada pela turma porque ele não gosta. Estou me sentindo presa e o fim do namoro é como uma porta aberta para um mundo cheio de novidades maravilhosas.

Além disso, percebi uns olhares que vão além de amizade de um menino que estuda comigo e gostei. Não que eu goste do menino, mas gostei da sensação de me sentir desejada.

Vitor me pediu em namoro quando ainda estávamos no colégio e eu aceitei. Seu sonho era que nos casássemos quando terminasse a faculdade. Mas o que sinto por ele não é tão forte a ponto de querer esquecer o resto do mundo. Ainda mais que, sexualmente falando, eu só conheço ele. Sei que para muitas pessoas isso é romântico, mas eu fico apavorada.

Por exemplo, semana passada fomos a um rodízio de pizza que desde o colégio não íamos. Anos atrás eu amava aquele rodízio. Mas, para a minha surpresa, na semana passada a pizza parecia chiclete. 1 metro de massa e 5 cm de recheio. Horrível. Mastigava, mastigava e aquela massa não se desmanchava. Saí de lá determinada a acabar o namoro. Era um aviso. Na escola eu só conhecia aquela pizzaria, não tinha parâmetro. Com o tempo conheci várias outras, inclusive em outros estados, e o que parecia maravilhoso, na verdade era horrível. E se com Vitor fosse a mesma coisa?

– Eu demonstrei muitas vezes que não estava feliz. Você que não percebeu.

– Então vamos tentar resolver esse problema juntos e não separados.

– Não, Vitor. Eu prefiro terminar. Preciso ficar um tempo sozinha.

– Se é isso mesmo que você quer, então tudo bem.

Ele foi embora e a noite me mandou inúmeras mensagens me chamando de egoísta, dizendo que enganei ele, que tudo foi uma mentira…

As palavras dele foram duras. Chorei um pouco, mas logo passou. A felicidade de descobrir as novidades de uma vida de solteira me enchia de alegria e entusiasmo.

Resolvi ligar pra Júlia, apesar de saber que ela ia me encher com um sermão de meia hora, eu precisava contar a novidade.

Eu e Júlia nos conhecemos na faculdade de Medicina. Aquela história de que os opostos se atraem serviu perfeitamente para nós duas. O sonho dela é casar e construir uma família feliz com Diego. Falando nele, eu o suporto por causa de Júlia, mas o menino é do tipo que se acha lindo mesmo sendo totalmente carente de beleza. Mas Júlia adora rotina e já se acostumou com ele. Acha que felicidade é aquilo e fica extremamente nervosa só de pensar que algo pode mudar.

– Menina, uma alma acabou de encontrar o caminho do céu. Você atender o telefone no primeiro toque!

– Oi… Diga Carol.

– E essa voz? Tá doente é?

– Não. Diego terminou comigo. Passei o dia tentando falar com ele, mas até o celular ele desligou.

– Ow Júlia, não fique assim. Eu também estou solteira. Vamos aproveitar juntas.

– Solteira? Vitor terminou com você também?

– Não. Eu que terminei. Preciso aproveitar mais a vida. Vamos sair amanhã, estamos de férias. Nada de ficar na fossa.

– Não sei. Não tenho ânimo para sair. Ainda mais depois do “presente” que recebi hoje.

– O quê???

– Eu não consigo nem olhar, Carol. Parece uma piada de mau gosto.

Júlia começou a chorar e a sorrir ao mesmo tempo. Eu não estava entendo nada.

Continua…


Plá:

Se hoje você levou um “fora” chore um pouco e siga em frente. Tudo pode mudar. Tenha fé! Mas, em hipótese alguma, mande mensagem do tipo – é isso mesmo que você quer? A pessoa acabou de te dizer isso, então é melhor aceitar do que levar outro “fora”.

Se foi você quem terminou o namoro, cuidado com a euforia. Às vezes a grama do vizinho é verdinha, mas está cheia de surpresas desagradáveis.

15 comentários em “Vida de Solteira – 1: Depois do fim, o começo

  1. Suas histórias são demais!!!! Muito feliz que voltaram!!!! Vamos por partes… Primeiro o Diego. Não tinha necessidade desse escandalo por causa de uma camisa né meu filho? Meu palpite é.. Tem mulher no meio. Eu acho que ele ta afim de outra e o chilique da Julia foi só uma desculpa. Agora a Carol. Primeiro, adorei a metáfora da pizza. Porque eu super concordo, afinal, como vou saber que esse é bom se eu nunca provei os outros. Adorei que suas histórias estão de volta. Já quero ler os outros!!! Bjs!!

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