casal dormindo

Vida de Solteira – 15: Sono

casal dormindo

Carol

– Aceita, Carol?

Eu continuava em silêncio, por não saber o que dizer. Aquela cena de Beto me pedindo em casamento era linda. Uma comprovação que o amor dele era real e na mesma intensidade que o meu. Mas como eu iria me casar? Não queria abandonar a faculdade e, além disso, eu era péssima na cozinha. Nunca poderia fazer um jantar especial de surpresa, porque, com certeza, ficaria horrível. Eu ainda estava na fase, com muito sofrimento, de aprender a cuidar de mim mesma. Ter uma casa sob minha responsabilidade era desastre na certa.

– Eu não sei. Eu amo você, mas eu quero me formar, não sei cuidar de uma casa…

A minha voz começou a ficar trêmula e as lágrimas apareceram querendo chamar atenção. Respirei fundo tentando me controlar, mas não adiantou. Toda a postura autoconfiante que eu mantive na frente de Beto, desmoronou e me afoguei num mar de lágrimas na sala da minha casa.

– Calma, meu amor.

Beto se levantou e me abraçou.

– Não precisa ser amanhã. Eu não quero que você desista do seu sonho de ser médica. Pensei em ficarmos noivos. Quando acabasse o mestrado e eu voltasse para casa, nos casaríamos. Mas, por mim, eu nem iria. Tenho certeza que ficar longe de você é a pior opção.

Beto também estava quase chorando.

– Então eu aceito!!!

Ele sorriu e me beijou com euforia. Só lembramos que meu pai estava na sala quando ele nos avisou fazendo um barulho com a garganta.

– Desculpe – Beto falou sem graça.

Meu pai sorriu e para minha surpresa, parecia feliz com aquela loucura toda.

– Pai, tudo bem eu ficar noiva de Beto?

– Quem pode controlar o amor, minha filha? Não serei maluco de tentar.

Eu tinha o privilégio de ter um pai romântico que entendia a loucura dos apaixonados.

– Se meu futuro sogro autorizou…

Beto abriu a caixinha, retirou o anel e colocou no meu dedo anelar da mão direita.

Minha mãe pediu que ele esperasse pelo jantar. Beto aceitou e ficamos um bom tempo na varanda conversando sobre o mestrado dele e nosso casamento. Aproveitei a emoção do meu pai e pedi para ficar uma semana com Beto em Fort Collins, a cidade onde estava localizada a Universidade.

– E você vai perder uma semana de aula, mocinha?

– Por favor, pai. Eu prometo estudar em dobro para recuperar essa semana perdida.

– Vou pensar.

Corri e beijei o rosto do meu pai. Quando ele dizia “vou pensar” era porque já tinha deixado.

– Eu disse que vou PENSAR. Não falei que ia deixar.

Ele falou querendo se manter sério, mas não aguentou e começou a sorrir.

Já perto de meia noite, meus pais foram dormir. Assim que os dois entraram, Beto segurou meu rosto e devorou minha boca com um beijo.

– Te amo demais – ele disse ao se afastar um pouco para respirar.

– Nossa! O que foi isso? – falei sem ar.

– Uma pequena amostra do que ainda teremos.

Um arrepio subiu pelo meu corpo imaginando esse “ainda teremos”.

Beto voltou a me beijar e o clima de verão 50ºC invadiu a casa.

– Acho que é melhor eu ir.

Ele falou depois de quase me deixar só de sutiã. Na empolgação, as mãos dele subiram a minha blusa quase toda.

– Não – puxei-o de volta para perto de mim.

– Não quero que vá agora.

Estávamos abraçados e com nossas bocas quase se tocando.

– Não sou tão forte quanto parece. Deixe eu me afastar um pouco, então. Preciso me acalmar.

– Não quero que se acalme.

– Carol…

– Não quero!

Foi como deixar cair uma faísca em um balde cheio de gasolina. Beto me suspendeu e pressionou meu corpo conta a porta da varanda, que era de vidro. Gemi com o impacto.

– Meninos, essa porta não foi feita pra isso. Ela pode quebrar.

A voz doce da minha mãe invadiu o ambiente. Levamos um susto como se ela tivesse gritado com um microfone em nosso ouvido. Nenhum dos dois teve coragem de falar nada. Sentamos no sofá que ficava na lateral da varanda e sorrimos baixinho depois que o coração se acalmou.

– Acho que agora não temos escolha. É melhor eu ir.

– E se fôssemos para o meu quarto? Ninguém ia ver.

Beto sorriu.

– Entrou um capetinha na minha noiva e nem posso dizer que acho isso ruim. Tenho um pouco de medo de seu pai descobrir e ficar com raiva, mas a vontade de arriscar tá maior.

Me “despedi” de Beto falando alto e caminhamos na pontinha dos pés para o meu quarto. Tranquei a porta e respirei aliviada.

Beto sorria sem parar. Parecia que uma força maior esticava sua boca e ele não conseguia voltar ao normal.

– Onde você estava esse tempo todo? Sua maluquinha.

– Passando por alguns obstáculos para conseguir encontrar você.

– Sei. Não quero nem ouvir falar desses outros “obstáculos”.

– Olha! Ciumentinho, ele.

Beto me abraçou, apertando seu lindo corpo contra o meu.

– Pra que vou querer saber dos obstáculos se o prêmio principal era eu?

– Convencido!

Consegui me desprender dele e pulei na minha cama. Ele veio atrás e ficamos em pé na cama como duas crianças. Beto conseguiu me derrubar e eu gritei quando caí.

– Shiiii.

Ele deitou ao meu lado e segurou a minha mão. Nos viramos e ficamos olhando um para o outro. Beto continuava com aquele sorriso bobo no rosto.

– Se estivermos fazendo tudo errado, são os melhores erros da minha vida.

Não respondi e ele se aproximou até deitar por cima de mim. Uma atmosfera de amor preencheu o quarto e iniciamos o beijo interrompido na varanda, só que dessa vez começou mais suave. Senti cada arrepio que a sua barba rala provocava em meu rosto. Após alguns minutos o lado feroz dele reapareceu e me deixou só de calcinha e sutiã em segundos.

– Meu amor, você tem certeza? Se achar melhor, podemos parar – ele disse após arrancar a minha blusa.

– Certeza absoluta!

– O homem mais sortudo do mundo sou eu.

Beto não me pediu mais autorização para nada.

Sabe a pizza borrachuda que falei para vocês anteriormente, que eu comia como se fosse a melhor do mundo, até conhecer outra bem mais gostosa? O que aconteceu após Beto voltar a me beijar deixou aquela pizza antiga (os EXs) com gosto de pedra.

Realmente ele tinha razão, o beijo era apenas uma amostra bem pequena do conjunto completo. Respiramos ofegantes após alguns esforços físicos e ele me abraçou.

– Meu Deus do céu. Eu amo aquela vaca.

Olhei pra ele assustada.

– Oi?

– A vaca que eu estava fazendo o parto no dia que você apareceu. Ela me trouxe uma sorte enorme.

Balancei a cabaça em sinal negativo enquanto sorria.

– Pessoas normais diriam que me amam. Já você, ama a vaca!

– Hahahahaha. Só estava agradecendo a vaca por ter levado você até mim. O meu amor, como você sabe, é todo seu, maluquinha.

 Fingi que fiquei com raiva e virei para o outro lado. Beto me abraçou.

– Ei, você não vai ficar com ciúmes da vaca, vai?

– Eu fico se eu quiser.

Ele gargalhou, levantou da cama e me pegou no braço.

– Vamos tomar um banho para o ciúme passar?

– Não estou com ciúme.

Ele me levou nos braços para o banheiro e tomamos um banho demorado, com muitos beijos e carinhos. Paramos por aí, apesar da sua vontade aparente. Bem aparente.

Após o banho, nos secamos, colocamos as roupas e deitamos abraçados. Era para Beto ficar por mais um tempinho e ir embora, mas acabamos adormecendo.

TOC TOC TOC TOC

– Carol!

Era meu pai batendo na porta do meu quarto.

Acordei assustada e vi Beto ainda ao meu lado. Ele me olhava com cara de “não acredito que dormi”. Ferrou!

– Oi, pai.

– Acorde, minha filha. Já são 9h. Estamos esperando você para tomar café.

– Tô indo. Dez minutinhos.

– Tá bom.

Se eu dissesse que não iria, meu pai ia desconfiar e querer entrar no quarto para saber se eu estava bem, já que eu nunca deixava de tomar café com eles.

– E agora?

– Eu vou e você fica aqui escondido no banheiro. Como hoje é feriado, com certeza eles vão passear em algum lugar. Eu falo que preciso estudar e quando eles saírem, você vai embora. Aí meu Deus! Você deixou seu carro na garagem daqui de casa?

– Não. Tá estacionado na rua.

– Ainda bem. Então vai dar tudo certo.

Beto entrou no banheiro e eu fui encontrar com meus pais na mesa de café.

– Bom dia, querida!

– Bom dia, mãe.

– Tenho uma surpresa pra você. Conversei com seu pai e resolvemos fazer um almoço em comemoração ao seu noivado. Chamamos Júlia, Maurício, Eunice, sua tia, seus primos. Avise a Beto para chamar os pais dele também.

Ah não, mãe. Já passamos a noite comemorando. Não precisava de mais comemoração.

– Que cara é essa? Não gostou da surpresa?

– Gostei sim, mãe. Ótimo! Vou avisar a Beto. Qual vai ser o cardápio? Já compraram as coisas?

Por favor, que eles não tenham comprado.

Já. Enquanto você não acordava, eu e seu pai fomos ao supermercado e compramos tudo.

– Tudo?

– Sim. Por quê?

– Por nada, mãe. Ia pedir para vocês comprarem um sorvete pra mim, mas depois eu compro.

Tentei disfarçar um pouco, antes que eles notassem a minha angústia.

– E você acha que seu pai esquece? Ele comprou.

Agradeci a meu pai e eles continuaram conversando, sem que eu prestasse atenção a nada.

– Gostou do cardápio?

– Adorei, mãe.

Menti. Não sabia se era carne, peixe ou frango. Só pensava em terminar de comer e resolver o grande problema que me aguardava no quarto.

– Vou para o quarto agora. Preciso estudar um pouco.

– Mais tarde venha que vou te ensinar a fazer a sobremesa.

– Certo. Pode deixar.

Queria retribuir aquela alegria da minha mãe, mas eu estava nervosa demais.

– Pode sair – bati na porta do banheiro.

– E aí, eles vão sair de que horas?

– Você não vai acreditar. Minha mãe resolveu fazer um almoço em comemoração ao nosso noivado. Eles vão ficar em casa o tempo todo preparando cada detalhe desse almoço. Não sei o que fazer. E ela disse que você chamasse seus pais.

– Meu Jesus Cristo! Eu não podia ter dormido. Seu pai aceitou tão bem o meu pedido de casamento. Eu estraguei tudo.

– Calma, Beto. Ligue logo para os seus pais. Lembre de falar baixo.

Cinco minutos depois…

– Alô, mãe?

– É Beto. É Beto. Beto. Beto. É Beeeeeeeto, mãe.

Eu escutava a mãe de Beto gritando do outro lado da linha perguntando quem era e ele sussurrando na minha frente. Não aguentei e comecei a sorrir. Ele sorriu também e pediu que eu parasse. Quase meia hora depois Beto conseguiu explicar o noivado e o convite para o almoço.

Seus pais confirmaram a presença, agora só faltava encontrar um jeito de tirá-lo da minha casa.

TOC TOC TOC

– Carol, Júlia chegou. Tá aqui na sala esperando por você.

– Fale pra ela entrar, mãe.

Júlia tentou abrir a porta do quarto, mas não conseguiu porque estava trancada.

– Júlia? Tá sozinha?

Perguntei para ter certeza.

– Sim.

Abri e ela entrou. Júlia gritou quando viu Beto. Rapidamente tampei a boca dela.

– O que significa isso?

Agora ela sorria histérica.

Expliquei mais ou menos o que tinha acontecido e pedi que ela nos ajudasse.

– Já sei. Vou chamar seus pais para conversar na cozinha. Invento que ainda estou mal por minha mãe ter ido embora. É um assunto que atrairá a total atenção deles. Enquanto isso Beto sai pela varanda. É o local mais baixo para pular. Porque não tem como ele sair do seu quarto e descer as escadas sem seus pais perceberem.

Júlia saiu concentrada para executar o plano de distrair meus pais. Esperamos um pouco e Beto correu em direção à varanda. Eu fiquei olhando a escada que dava acesso a sala para ter certeza que ninguém estava subindo.

PARADO AÍ, RAPAZ!

AAAAAIII!!!

CAROL!!!

 

Continua…

 


 

Plá:

Dormir nem sempre faz bem. CUIDADO para não adormecer na hora errada.

 

 

4 comentários em “Vida de Solteira – 15: Sono

  1. Como é que você termina o capítulo assim???? Que coisa mais fofa esses dois!! Carol, onde eu consigo um desse pra mim? Porque eu quero. Ele Beto. Estava quase escapando hein. Parece que não deu tempo. Aquele coisa do Rodrigo não né? Amando a história e ansiosa por mais. PS: Eu já disse que amei o kit dá Bela e a fera que eu ganhei aqui?? Porque eu amei!!!

  2. Poxa vida! Tinha que acabar logo?? 😂😂😂 me diverti bastante 😂😂 Curiosa pra saber oq vai acontecer!!

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