cheesecake

Vida de Solteira – 6: Cheesecake

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Carol

 

Se você termina um namoro que não vai bem, cheio de rotina e com o amor agonizando, qual seria sua expectativa? Choro e decepções? Claro que não! Pois é.

Eu nunca pensei que pudesse sofrer tanto depois do meu término com Victor. Parece que todas as maravilhas da vida de solteira se esconderam e apareceram só as trevas.

Levei chifre de quem teoricamente não me poderia trair, pois era apenas o meu ficante e sofri como se o amor da minha vida tivesse me apunhalado pelas costas.

Quando Rodrigo apareceu me senti a sortuda em pessoa. Ele era mais bonito que Victor, beijava muuuito melhor, educado, gostava de sair, um homem completo. E aí ele sumiu, apareceu no aniversário de Júlia agarrando outra e agora, em pleno carnaval, aquilo: uma provável namorada.

Mas o pior de tudo: Ela era mais bonita do que eu.

Eu não poderia diminuir o sofrimento do meu ego dizendo que “pelo menos eu sou mais bonita”, porque não era verdade. Ela era linda como ele. E eu? Normal como os demais.

A primeira coisa que pensei quando vi aquela mulher chegando foi: Ele nunca gostou de você. Foi só curtição. Já com ela não, deve ter pedido em namoro e tudo. Nada como um pensamento ruim para quem já estar na pior.

Levantei e chamei Júlia para sairmos dali. Ela perguntou se eu queria que ela fosse dormir na minha casa, mas preferi ficar sozinha. Precisava de um tempo para digerir aquilo tudo.   

Deitei na minha cama e quase tive uma convulsão de tanto chorar. Eu tentava convencer o meu coração que eu não iria morrer. Que tudo ia passar em breve. Para de drama. É só uma pessoa que você se apaixonou e que não gosta de você. Isso existe aos montes por aí. Não existe? Então não perca o controle. Mas ele não entendia. Sangrava de tanta dor .

O celular vibrou indicando uma nova mensagem. Antes mesmo de desbloquear a tela já vi o nome dele. Eu não deveria nem ler. Mas, às vezes, mesmo sabendo o certo, insistimos no errado.

Abri a mensagem

Rodrigo

Carol, antes de tudo, eu não enganei você. Quando ficamos a primeira vez eu não tinha nenhum relacionamento com a Michely. Fiquei com ela algumas vezes quando terminei o noivado e depois que eu e você nos afastamos me aproximei dela novamente. Não é um namoro ainda, mas estamos muito próximos.

Gritei palavrões dentro do meu quarto, mas no final só respondi “Ok”.

Rodrigo

Eu posso fazer alguma coisa para que você retire essa impressão ruim de mim? Como eu disse, não queria deixar de ser seu amigo.

Senti vontade de dizer que ele pegasse aquela amizade e enfiasse onde ele achasse melhor. Mas tive uma ideia ainda pior.

Carol

Pode. Se quer mesmo se redimir comigo, venha agora na minha casa.

Sei lá o que pensei pra falar isso. Talvez eu quisesse provar pra mim que não tinha sido tão insignificante para ele.

Rodrigo

Eu não tenho como ir agora, Carol. Ainda estou na festa e Michely está comigo. Não posso deixá-la sozinha.

Carol

Ok.

“Sábado, dia 25 de fevereiro de 2017 foi eleito o dia mundial da humilhação em homenagem à Carolina Pinheiro que atingiu o grau máximo de humilhação em um único dia.” O título da matéria já estava feito, era só publicar.

Será que já existia alguma revolução na medicina que permitisse se esconder de você mesmo? Era o que eu precisava naquele momento. Quando as aulas recomeçasse ia pedir ajuda a algum professor.

Enquanto eu não descobria o que fazer gritei até ficar sem voz, abafando o som com o travesseiro.

A menina que tinha controle sobre seus sentimentos. Uma pessoa sensata e sem muito drama no quesito amor tinha levado uma rasteira tão grande que bateu a cabeça no chão e estufou os olhos. Virei um ser estranho e totalmente desconhecido.

O mundo estava louco. Eu solteira, em casa, com o coração partido por um quase estranho e meus pais nas festas curtindo o carnaval. Liguei a televisão para tentar distrair um pouco o meu sofrimento e estava passando o desfile das escolas de samba.

Uma multidão de pessoas felizes cantando e dançando. Comecei a sorrir. Até a televisão zombava da minha situação. Cinco minutos depois a graça foi passando e a sensação de rejeição me atingiu novamente. Desliguei a TV e abracei meu travesseiro o mais forte possível. Já estava prevendo um novo episódio de derramamento de lágrimas quando meu celular vibrou.

Uma nova mensagem de Rodrigo.

Rodrigo

Carol, estou em frente a sua casa. Ainda posso te ver?

Ele veio? Em milésimos de segundos eu me vi na porta do céu. Comemorei como se o Brasil tivesse virado aquele jogo da copa do mundo contra a Alemanha e feito 8×7.

Carol

Não deveria, mas estou indo aí.  

Lavei o rosto, passei um pouco de maquiagem para esconder meus olhos inchados e fui encontrá-lo.

– Oi – eu disse assim que o vi.

– Esperava uma recepção melhor. Será que mereço essa frieza toda?

– Se você quer carinho vá pedir a sua namorada.

– Hahahah. Vistam as armaduras que ela está armada! Vamos conversar, Carol.

Como era difícil odiá-lo. Até as besteiras que ele dizia eu achava legal, mesmo tentando não demonstrar.

– Pode começar. Estou escutando.

– Não precisamos ser inimigos, Carol. Eu não fiz nada de errado com você. Só me afastei por um pedido do meu irmão e acabei me aproximando da Michely.

– Tudo bem então, pode ficar com ela. Eu vou entrar agora, tchau.

– Ei, espere. Eu gosto muito de você, mas acho que se ficarmos juntos teremos muitos problemas.

– Eu estou curiosa para saber uma coisa. Você desistiu de ir pra Salvador por causa dessa menina?

– Não, Carol. Um amigo que ia comigo ficou doente e achei melhor desistir também. Apesar de gostar de ficar com ela, não é nada sério.

Não era nada sério com ela, comigo e nem com ninguém. O rei do “nada sério”. Ele me puxou pra perto e me abraçou.

– Acredite em mim, você é muito especial. Que outra razão eu teria para estar aqui?

Rodrigo segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Pronto. Estava feita a desgraça. A raiva passou e o sentimento tolo ganhou mais força. Ficamos até 1h30 da manhã.

– Durma bem, linda. Depois combinamos alguma coisa.

Entrei na minha casa com uma sensação de felicidade e medo ao mesmo tempo. Era como se eu estivesse esperando uma notícia ruim a qualquer momento.

Imaginei dos cenários mais lindos aos mais trágicos até conseguir dormir. No outro dia acordei com Júlia me ligando chamando para almoçar. Saímos para almoçar, mas não contei nada sobre o encontro com Rodrigo na noite passada.

Na verdade eu não queria escutar mais sermões sobre isso, além daqueles que a minha consciência insistia em me dizer. Mantive em segredo e talvez em outro momento eu contasse.

Almoçamos, sorrimos com o desastre da noite anterior e combinamos de ficar em casa naquela noite assistindo algum filme. Íamos deixar o carnaval melhorar de humor e na segunda tentaríamos a sorte novamente.

Júlia foi ao banheiro depois que pagamos a conta e eu fiquei esperando na mesa.

– Você não sabe quem eu vi aqui – ela disse assim que voltou.

– Quem? – perguntei curiosa

– O safado do Rodrigo. Está sentando um pouco mais atrás com a “princesa” dele.

– Sentados? Como?

– Como? Em cadeiras, Carol.

– Isso eu sei, neh! Quero saber se estavam próximos como um casal.

– Sim. Estavam se divertindo, ela dando comida na boca dele. Mas Rodrigo pareceu assustado quando me viu.

– Claro que ele pareceu assustado. Como a pessoa pode ser tão falsa desse jeito? Garçom, por favor.

O garçom chegou e pedi um cheesecake.

– Vai pedir mais uma sobremesa? Já pagamos a conta, Carol.

Eu sabia, mas eu precisava daquele cheesecake. Naquele momento ele era tão vital quanto água.

– Eu sei, Júlia. Mas eu preciso.

– Tudo bem então.

Ela me olhou como se eu tivesse ficado louca e não falou mais nada. Quando o garçom trouxe a sobremesa pedi a Júlia que me levasse até a mesa dele. Ela não concordou muito, mas me levou até lá.

Quando chegamos, Rodrigo já estava pedindo a conta.

– Tudo bem, Rodrigo?

– Oi, Carol. Coincidência encontrar você por aqui.

– Pois é. Muita. Acho que esqueci de falar pra você ontem de madrugada, quando estava na minha casa, que odeio gente mentirosa. Ou será que eu falei e você esqueceu?

– Carol!

– Carol nada. Tenho nojo de você!

Falei baixo. Não queria chamar muita atenção. Apenas as mesas mais próximas perceberam.

– Carol – ele tentou novamente.

– Silêncio! Não sabia que você gostava de comida na boquinha. Se o problema era esse devia ter dito antes.

Me aproximei bem pertinho dele, sobre os olhos assustados da “princesa” e esfreguei todo o cheesecake em seu lindo rosto.

– O que tá acontecendo aqui, Rodrigo? – Michely perguntou assustada.

– É uma amiga minha.

Ele não tinha limites na cara de pau.

– É mesmo? Eu sou sua amiga? E ela, é o quê?

– Ela? É minha amiga também.

A menina não escondeu a decepção. Saí dali antes que a cara de pau dele me provocasse um infarto.

Ele veio correndo atrás de mim.

– Carol, não é bem assim. Espere um pouco.

 Continuei andando e ele falando atrás de mim.

– Ei moça, a conta!

Na confusão esqueci completamente de pagar a sobremesa. Agora além do mini barraco, as pessoas ainda iam pensar que eu era caloteira.

Júlia arregalou os olhos e fiquei sem entender.

– Você pode me explicar o que está acontecendo aqui, Carolina?

Ah não, meu pai.

Continua…

Amanhã terá uma surpresa muito especial para vocês. Aguardem! 🙂


 

Plá:

Muita atenção com as pessoas que mentem muito bem. Se você não tiver cuidado elas te farão desacreditar da sua verdade mais pura.

 

 

9 comentários em “Vida de Solteira – 6: Cheesecake

  1. Kkkkkk, concerteza o melhor mico já pago. Boa idéia quando houver oportunidade vou fazer o mesmo ( mas pagarei a conta primeiro)

  2. É isso aí Carol. Rodrigo vai embora que você já deu. Quero ver ele explicar pra “princesa” dele o que aconteceu. Pena que seu pai apareceu. Curiosa para saber da surpresa.

  3. Carol está super apaixonada por Rodrigo..
    A cada Beijo ela fica louca rs…
    Michele outra iludida😕
    #adorooo

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